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Um saber que passa pelo corpo: A Dimensão Vivencial da Psicoterapia

18/08/2025

Etimologicamente, as palavras saber e sabor são muito próximas, ambas remetendo ao latim sapore, que fala sobre o gosto de algo. Essa bela conexão nos oferece uma pista poderosa sobre a natureza profunda do processo terapêutico: ele não se trata apenas de entender, mas de sentir o "gosto" da própria história.

 

Para Além da Reflexão: A Terapia como Experiência

Não é incomum que a psicoterapia seja vista como um espaço puramente reflexivo, um lugar de análise e questionamento onde visões de mundo e interpretações são revistas. Embora isso seja parte do processo, essa perspectiva pode se reduzir aos aspectos intelectuais, deixando de lado o que talvez seja mais fundamental.

Autores como Winnicott e Van den Berg já defendiam que existe uma dimensão experiencial no encontro terapêutico que não pode ser resumida a um mero entendimento intelectual. A terapia é algo que se vive de forma afetiva, relacional e corporal. Quando nos interessamos em como alguém vivencia uma situação, buscamos ir além da sua apreensão puramente racional, mergulhando em um universo de sentimentos, sensações e impressões.

 

A "Base Segura" para Explorar o Mundo Interno

Para adentrar nesse universo complexo, contraditório e por vezes nebuloso, a relação terapêutica se torna o alicerce. É através de um vínculo de confiança, sigilo, respeito e empatia que o mundo próprio de cada um pode ser explorado.

Com uma "base segura", para usar um termo de Bowlby, o paciente pode se ancorar em uma relação afetiva que o sustenta e o acompanha nessa procura. É essa sustentação relacional que nos dá a coragem para explorar o que antes parecia intransponível.

 

Degustando a Própria História

É a partir dessa segurança que a exploração vivencial nos permite descobrir qual é o gosto das nossas experiências, quais sensações elas nos despertam, como elas nos tocam e como elas nos deixam. Existe um modo de "degustar" a própria vida que acontece na terapia, e isso nem sempre é prazeroso ou agradável. Muitas das nossas experiências são, sem dúvida,

 

Doces, suaves, amargas, azedas ou indigestas: os muitos sabores de uma vida

O processo terapêutico se desdobra justamente sobre essa busca pelo gosto, pelo sabor, pelo calor e pela sensação de uma experiência. O interesse pelas ressonâncias no corpo, na sensibilidade e nos sentimentos é o que alimenta e enriquece essa procura por um saber que não é apenas pensado, mas profundamente sentido

 

Na imagem o quadro “O Semeador” do famoso pintor holandês Vincent Van Gogh.  

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"Viver uma vida plena e conectada face à dificuldade e até mesmo à tragédia requer a capacidade de sentir e fazer uso da nossa experiência emocional."
Diana Fosha

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