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Nada do que foi será

04/08/2025

 

"Nada do que foi será De novo do jeito que já foi um dia"


Poucas frases capturam com tanta precisão uma das verdades mais inquietantes da nossa existência: a impermanência. A canção de Lulu Santos ecoa um sentimento que todos conhecemos: o tempo de uma vida e o tempo do mundo estão em um fluxo constante de transformação.

 

A Luta Contra o Rio
 

Nossa herança filosófica, como apontou Nietzsche, muitas vezes nos ensinou a lutar contra esse fluxo. Buscamos desesperadamente um solo permanente em meio a um rio que não para de correr. Sofremos com as transformações do corpo, o fim dos relacionamentos e as mudanças em nós mesmos, tentando fincar estacas em uma correnteza.

 

 

Muitas das nossas estratégias de sofrimento, que aparecem na clínica, são tentativas de negar, frear ou se afastar dessa transitoriedade. Queremos construir uma barragem contra a dor que a mudança inevitavelmente traz. Mas as correntes da existência, como uma grande onda, podem ser violentas contra aquilo que insiste em se manter rígido e imóvel.

 

 

As Faces da Nossa Angústia


Essa luta contra o tempo se manifesta em dores muito concretas.
 

  • Sofremos porque o fluxo da existência nunca para
  • Sofremos porque ele nunca volta.
  • Sofremos porque sabemos que este tempo irá acabar.
  • Sofremos porque não sabemos quanto tempo ainda temos.

     

Irreversível, finito e desconhecido, o tempo de uma vida é um tema central da nossa angústia. É um tempo frágil, que nos convida a uma nova forma de cuidado.

 

 

Aprendendo a Navegar
 

Se não podemos parar o rio, talvez o caminho não seja o da resistência, mas o da navegação. O cuidado aqui é aprender a se relacionar com o fluxo de forma prudente, como o pescador do quadro de Hokusai, que não desafia a onda, mas a ouve e a respeita, encontrando o momento certo para lançar sua rede.

 

A psicoterapia pode ser esse espaço para aprender a "ouvir as ondas" da própria vida. É um lugar para acolher a angústia da finitude, não para eliminá-la, mas para transformá-la em uma bússola. Ao nos aliarmos à mudança em vez de lutarmos contra ela, podemos descobrir uma nova forma de liberdade, aproveitando os momentos propícios e vivendo o presente com mais consciência e serenidade.

 

Nas imagens os quadros “A Grande Onda de Kanagawa” e “Kajikazawa na Província Kai” do pintor japonês Katsushika Hokusai

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"Viver uma vida plena e conectada face à dificuldade e até mesmo à tragédia requer a capacidade de sentir e fazer uso da nossa experiência emocional."
Diana Fosha

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